'Esqueci segredos de Estado em um trem: sou a prova de que é possível se recuperar do maior erro da sua vida'
O ex-funcionário público britânico Richard Jackson relatou em entrevista ao programa Life Changing, da BBC Rádio 4, o dia em que esqueceu documentos ultrassecretos em um trem de passageiros e as consequências que enfrentou depois do episódio, que o transformou em notícia nacional no Reino Unido em 2008.
Na época, Jackson tinha 37 anos e morava em Yateley, no sul do Reino Unido, com a esposa Maddie e as enteadas Charlotte e Becky. Ele havia sido transferido pelo Ministério da Defesa para o Gabinete do governo, onde ocupava um posto relacionado ao terrorismo global e tinha acesso a informações de primeira mão dos serviços de inteligência britânicos GCHQ, MI5 e MI6. Ao sair do escritório em Londres, levou consigo uma pilha de formulários que precisava preencher e, em casa, percebeu que havia, no meio do pacote, dois documentos classificados como ultrassecretos.
Segundo Jackson, ele deveria ter telefonado ao Gabinete e pedido que alguém recolhesse o material de forma segura, mas atribuiu sua decisão a um “certo instinto de sobrevivência”. Guardou os documentos em uma pasta de papelão laranja e, na manhã seguinte, seguiu de trem repetindo mentalmente que não podia esquecê-la. Ao descer e caminhar para o escritório, percebeu que a pasta havia ficado para trás. Ele procurou em todas as estações de parada do trajeto, sem resultado, e desmoronou ao ver a esposa, dizendo que havia arruinado a vida dos dois.
No dia seguinte, descobriu que os documentos haviam sido encontrados e entregues à BBC. Ele conta que sentiu alívio por saber que estavam em local seguro, até perceber que se tornariam públicos. Jackson foi suspenso enquanto aguardava investigação e se escondeu em casa. O Gabinete do Governo considerou a falta grave e o rebaixou em três níveis; ele respondeu a processo com base na Lei de Segredos Oficiais, evitou a prisão e foi multado em 2,5 mil libras.
Jackson afirma que não conseguiu se livrar da vergonha e agradece às pessoas que o ajudaram a reconstruir a vida. Voltou ao Ministério da Defesa em um cargo de recursos humanos, foi transferido para o Departamento de Cultura, Meios de Comunicação e Esporte para trabalhar nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, deixou o funcionalismo e depois fundou a empresa de coaching NewDay. Ele diz que não perdoou a si próprio, mas voltou a ser feliz, e que hoje valoriza mais a sorte de ter pessoas importantes em sua vida.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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