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Escutar para cuidar: o papel da Igreja diante dos sofrimentos do nosso tempo

Atualizado em 08/09/2026 às 13:35 schedule 4 min de leitura visibility 5 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)

Escutar para cuidar: o papel da Igreja diante dos sofrimentos do nosso tempo

A escuta ganhou destaque no caminho recente da Igreja. No processo sinodal convocado pelo Papa Francisco, ela é apresentada como dimensão essencial da vida eclesial, da formação e do acompanhamento pastoral. O Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizado em 2024, chega a indicar a possibilidade de um ministério dedicado à escuta e ao acompanhamento, voltado especialmente a pessoas afastadas ou que buscam reaproximar-se da comunidade.

Essa perspectiva também está presente no pontificado de Leão XIV. Em sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, publicada em 25 de maio de 2026 e dedicada à salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial, o Papa recorda a responsabilidade de construir uma sociedade na qual a dignidade de cada pessoa seja protegida e destaca o diálogo como parte da vocação da Igreja. Na apresentação do documento, fez um convite a “aprender a ouvir uns aos outros, a enfrentar com coragem os desafios do presente e a cooperar na construção de uma sociedade mais humana e fraterna”.

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DEVIEM

Nas paróquias, o cansaço do tempo presente tem chegado com nome, rosto e horário marcado. O Cônego Ramon Ferreira, pároco da Paróquia Sant’Ana, em Silvianópolis (MG), e especialista em psicanálise, explica que é comum que pessoas em sofrimento de ordem espiritual, psíquica e até civil procurem a Igreja como primeiro apoio. “O padre entra em momentos nos quais talvez nenhum outro profissional entre. Está presente no casamento, no nascimento dos filhos, nas crises familiares, na doença, numa perda, num velório”, diz. Segundo ele, essa confiança exige responsabilidade para reconhecer os limites e saber até quando o acompanhamento espiritual é suficiente e a partir de que momento se faz necessário o cuidado de um profissional. “Considero muito perigoso quando alguém transforma tudo em problema espiritual. Uma depressão não é falta de fé. Uma crise de ansiedade não significa que a pessoa reza pouco”, alerta.

Foi diante das muitas demandas que chegam diariamente às paróquias que nasceu a Pastoral da Escuta. Idealizada pelo padre passionista José Carlos Pereira, teólogo pastoralista e doutor em Sociologia, a iniciativa partiu da percepção de que o atendimento sacerdotal já não dava conta da procura e de que boa parte de quem chegava não buscava confissão, mas alguém que a ouvisse. O que começou como resposta a uma necessidade concreta de uma paróquia no interior de São Paulo tornou-se uma experiência partilhada com outras comunidades e dioceses, sistematizada em livro para que outras comunidades pudessem implantar a proposta. O sacerdote esclarece que não é necessário ter formação em psicologia para atuar: “É uma escuta espiritual, no Espírito, teológica”, ressalta.

Na Diocese de Taubaté (SP), a psicóloga Raquel Irene de Macedo coordena a Pastoral da Escuta no Santuário Santa Teresinha. Ela destaca que o serviço nasceu para oferecer acolhimento e escuta ativa, em atendimentos individuais, sigilosos e por busca espontânea. “Muitas vezes, a pessoa não precisa de uma resposta pronta ou de alguém que resolva o problema, mas de uma presença disponível, respeitosa e verdadeiramente interessada em escutá-la”, explica. Segundo ela, a preparação dos agentes é o pilar da pastoral, com formação humana e espiritual contínua, que inclui postura emocional, limites pastorais e técnicas de entrevista.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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