Endividamento das famílias bate recorde em julho mesmo com Desenrola 2.0
O endividamento das famílias brasileiras voltou a bater recorde em julho, mesmo com a entrada em vigor do programa Desenrola 2.0. Levantamento divulgado nesta semana mostra que a proporção de famílias com dívidas a vencer subiu para 82% no mês, um novo patamar máximo da série histórica.
O dado, no entanto, vem acompanhado de um movimento distinto na inadimplência. O percentual de famílias com contas em atraso recuou para 29,8%, indicando que, embora mais lares estejam comprometidos com parcelas futuras, uma parcela menor deixou de pagar obrigações no prazo.
Especialistas ouvidos na apuração atribuem o fenômeno à combinação de crédito mais acessível e renegociações promovidas por programas oficiais. O Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal, ampliou o leque de dívidas elegíveis e facilitou o parcelamento, o que teria ajudado a reduzir o calote ao mesmo tempo em que estimulou novas contratações de financiamento.
Ainda assim, o nível elevado de comprometimento da renda familiar segue como ponto de atenção para a economia. Com juros básicos em patamar alto, o custo do crédito continua pressionando o orçamento doméstico, e a sustentabilidade da queda da inadimplência dependerá da evolução da renda e do emprego nos próximos meses.
Os dados completos da pesquisa, incluindo o recorte por faixa de renda e tipo de dívida, não foram detalhados na divulgação inicial. O levantamento é acompanhado mensalmente por instituição de pesquisa econômica e serve de termômetro para o varejo e o setor financeiro.
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