Eleições nos EUA: como apoio a Israel e guerra em Gaza afetam disputa ao Senado
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos ocorrem nesta terça-feira (3/11) com uma das disputas mais acirradas do país: a vaga aberta ao Senado pelo Estado de Michigan. A guerra em Gaza e o apoio americano a Israel se tornaram o eixo central da campanha, mobilizando eleitores dos dois lados do debate e embaralhando lealdades partidárias históricas.
O pleito coloca frente a frente o médico democrata Abdul El-Sayed, que, se eleito, será o primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos, e o republicano Mike Rogers, ex-agente do FBI e ex-membro da Câmara dos Representantes por 14 anos. Os democratas precisam manter a cadeira; os republicanos, virá-la. A definição é considerada decisiva para determinar qual partido controlará o Congresso no restante do mandato de Donald Trump.
Michigan abriga o maior percentual de árabes-americanos do país e também uma população considerável de eleitores judeus, historicamente pilares democratas. Em 2024, eleitores árabes e muçulmanos decepcionados com a política externa democrata para o Oriente Médio organizaram uma campanha para retirar o apoio ao partido. Samraa Luqman, democrata de longa data, votou e fez campanha por Trump naquele ano. "É Gaza ou nada", afirmou ela ao programa de rádio The Global Story, do Serviço Mundial da BBC. Hoje ela se considera republicana, mas apoia entusiasticamente El-Sayed.
Os dois candidatos destacaram os gastos americanos no conflito. Segundo o projeto Custos da Guerra da Universidade Brown, em Rhode Island, essas despesas ultrapassaram US$ 31 bilhões (cerca de R$ 169 bilhões) nos primeiros dois anos. Apoiado por Trump, Rogers afirma que a ajuda militar à operação de Israel após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 é uma questão de segurança nacional. El-Sayed, progressista declarado, denunciou repetidamente o uso de dinheiro dos impostos para financiar o que descreve como genocídio — acusação que Israel rejeita veementemente.
Nas primárias democratas, El-Sayed venceu por estreita margem a moderada Haley Stevens, fiel defensora de Israel. Dois dias antes da abertura das urnas, Stevens surpreendeu colegas ao apoiar Rogers publicamente, chamando a disputa de batalha pela "consciência do Senado" e referendo sobre o "ódio". Parte da comunidade judaica expressa receio de ficar abandonada. Após um ataque violento à sinagoga Templo Israel, em Michigan, em março, El-Sayed disse que "pessoas feridas machucam as outras pessoas"; o responsável havia perdido parentes em um ataque aéreo israelense no Líbano. Ele pediu desculpas depois e negou tentar justificar o ataque. O presidente do Conselho de Rabinos de Michigan, Aaron Starr, declarou que não votará no candidato. Rogers, por sua vez, tem buscado o voto judaico apresentando-se como forte amigo de Israel e já chamou El-Sayed de "antijudeus".
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