El Niño chega ao nível “muito forte” e amplia atenção para temporais e tornados em SC
A Defesa Civil de Santa Catarina e o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri/Ciram) passaram a classificar o atual El Niño como de intensidade muito forte. A avaliação foi divulgada no fim de setembro, durante o Fórum Climático Catarinense, após os dados mais recentes apontarem anomalia de 2,2°C na temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial.
Segundo a meteorologista da Defesa Civil Nicolle Reis, a categoria muito forte exige anomalias de pelo menos 2°C. "Na última avaliação, esse valor chegou a 2,2°C, o que já permite considerar o fenômeno como de intensidade muito forte", explicou, em comunicado. A classificação considera as condições recentes do oceano e as projeções para os próximos meses, mas a consolidação pelos índices oficiais da Noaa depende do comportamento das anomalias ao longo de períodos determinados.
Para a primavera, a previsão indica chuva acima da média em todo o estado, com atenção especial para outubro e novembro. O gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil, Frederico de Moraes Rudorff, afirmou que o aumento da umidade e da instabilidade atmosférica pode favorecer episódios severos. "Tendemos a ter mais eventos severos, como microexplosões e tornados. Contudo, isso não significa necessariamente que teremos os eventos mais intensos", declarou.
O excesso de precipitação amplia a atenção para alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos, enquanto os temporais podem provocar danos associados ao vento e ao granizo. No Extremo-Oeste, Oeste e Meio-Oeste, outubro já registra média histórica entre 210 e 280 milímetros — referência climatológica, e não o acumulado previsto para este ano. A Defesa Civil aponta a primavera de 2026 e o outono de 2027 como as duas principais janelas de monitoramento dos efeitos do episódio atual.
Os órgãos ressaltam que a intensidade do fenômeno não determina, sozinha, a gravidade dos impactos. Rudorff citou as enchentes no Vale do Itajaí em 2023 e no Rio Grande do Sul em 2024, sob influência de um El Niño moderado, para explicar que a gravidade não acompanha automaticamente o aquecimento do Pacífico. Entre os fatores monitorados estão a oscilação de Madden-Julian, o jato subtropical e o transporte de umidade. Diante de temporais com vento forte, raios ou granizo, a orientação é procurar abrigo em edificação segura e permanecer afastado de árvores, postes e janelas. Alertas por SMS podem ser recebidos enviando o CEP da área de interesse para o número 40199.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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