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Economia: Lula e Flávio divergem sobre ajuste fiscal e papel do Estado

Por Celso Rafael
Atualizado em 16/10/2026 às 14:50 schedule 4 min de leitura visibility 18 visualizações share 0 compartilhamentos (1)
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As propostas econômicas dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) divergem na condução das contas públicas, na política tributária e nas relações de trabalho. Enquanto Lula aposta na continuidade do modelo atual, com investimentos públicos, programas sociais e valorização da renda, Flávio defende a redução da estrutura estatal, cortes de despesas e diminuição de impostos e encargos. Apesar das diferenças, as duas campanhas reconhecem a necessidade de enfrentar o crescimento da dívida pública.

No ajuste fiscal, Lula pretende manter o arcabouço fiscal, mecanismo que estabelece limites para o crescimento das despesas. A estratégia combina controle de gastos, busca por maior arrecadação e crescimento econômico para melhorar os resultados das contas. A política também prevê investimentos em infraestrutura, reindustrialização, inovação e energia renovável. Flávio propõe uma nova regra fiscal vinculada à trajetória da dívida e medidas para reduzir despesas administrativas, incluindo a estrutura ministerial e os cargos comissionados, além de simplificação regulatória e redução de tributos. Em agosto, em entrevista à Globo News, a coordenadora da equipe econômica de Flávio, Daniella Marques, afirmou que o plano prevê mudanças nas regras fiscais para controlar a dívida, com ajuste de 1,5% do Produto Interno Bruto, algo em torno de R$ 190 bilhões, considerado o PIB de 2025. No último dia 9, o candidato negou que acabará com programas sociais, como o Bolsa Família e o Farmácia Popular.

Na área tributária, Lula defende maior progressividade, com participação proporcionalmente maior das rendas mais altas no financiamento do Estado, e pretende dar continuidade aos investimentos do Novo PAC e a políticas de incentivo à indústria nacional. Flávio prioriza a redução de impostos, a diminuição de custos para empresas e a desburocratização. Para o agronegócio, propõe melhorias na logística, ampliação da capacidade de armazenamento de safras, seguro rural e estímulo à produção nacional de fertilizantes.

No trabalho e na renda, Lula defende a valorização real do salário mínimo e a redução da jornada semanal para 40 horas, sem diminuição salarial, além da manutenção de direitos trabalhistas e da ampliação da proteção social. Flávio enfatiza a redução dos custos de contratação e a flexibilização de modalidades específicas de trabalho, com menor custo para empregadores em determinados grupos etários. Nos programas sociais, Lula pretende manter e aperfeiçoar o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, enquanto a equipe de Flávio também declarou intenção de manter Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular. A questão central é como financiar essas iniciativas diante das respectivas metas de ajuste fiscal.

Os governos anteriores apresentaram trajetórias distintas. De 2019 a 2022, o governo Jair Bolsonaro enfrentou a pandemia de covid-19 e os efeitos da guerra na Ucrânia, com o PIB crescendo, em média, cerca de 1,4% ao ano, e encerrou 2022 com a dívida bruta em torno de 72% do PIB. No terceiro mandato de Lula, entre 2023 e 2025, o PIB cresceu, em média, aproximadamente 2,9% ao ano, com ampliação de investimentos, retomada de políticas sociais, valorização do salário mínimo e aprovação da reforma tributária sobre o consumo. O desemprego caiu a 5,6% em 2025, segundo o IBGE, enquanto a dívida pública atingiu 82,9% do PIB em agosto deste ano. A comparação, porém, exige considerar a pandemia, o cenário internacional, os juros e as medidas adotadas em cada período.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Viúvo, aposentado, pai de 2 filhos. Nasci em Medina, cresci em Belo Horizonte. Ex- servidor público, trabalhei vários anos na prefeitura de Belo Horizonte. Na sociedade civil atuei como Grande…

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