Dia Mundial dos Pobres: a escola na formação de uma comunidade mais solidária
Em 2023, 55,9% das crianças e adolescentes brasileiros de até 17 anos viviam em situação de pobreza multidimensional, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). São 28,8 milhões de pessoas que enfrentavam privações em dimensões como renda, educação, acesso à informação, água, saneamento e moradia. Os números evidenciam os desafios para garantir direitos e ampliar oportunidades desde a infância.
No Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco e celebrado em 15 de novembro de 2026, a discussão também passa pelo papel da escola no enfrentamento das desigualdades. Na mensagem para a décima edição da data, o Papa Leão XIV destaca que a comunidade cristã é chamada não apenas a acolher quem enfrenta situações de vulnerabilidade, mas também a se tornar um refúgio para essas pessoas. O pontífice mencionou a falta de acesso à instrução entre as privações que comprometem a dignidade humana e reforçou a importância da partilha e da fraternidade.
Na educação católica, esse compromisso se manifesta tanto nas propostas pedagógicas quanto nas iniciativas de filantropia educacional. Entre elas estão as bolsas de estudo oferecidas pelas mantenedoras associadas à Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (ANEC), inclusive aquelas concedidas para o cumprimento dos requisitos do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Estudo da ANEC publicado em 2024, com dados de 2022, identificou mais de 115 mil estudantes com bolsas integrais na educação básica, o equivalente a mais de 20% dos alunos das escolas pesquisadas. No ensino superior, foram registrados quase 87 mil bolsistas entre os 351 mil estudantes das instituições católicas analisadas, grupo que inclui beneficiários do CEBAS e do Programa Universidade para Todos (Prouni).
Para a Ir. Iraní Rupolo, diretora-presidente da ANEC, as bolsas representam uma oportunidade de reduzir barreiras socioeconômicas e ampliar o acesso à formação. “As bolsas de estudo filantrópicas representam uma oportunidade concreta de ampliar o acesso à educação de qualidade. Por meio do trabalho das mantenedoras, estudantes que enfrentam limitações socioeconômicas podem ter acesso a instituições que oferecem formação acadêmica e humana. É uma contribuição importante para que a condição financeira das famílias não seja uma barreira intransponível ao direito de aprender e desenvolver seu potencial”, afirma.
Projetos de voluntariado e atividades em parceria com organizações sociais aproximam os estudantes de diferentes realidades e levam a discussão sobre cidadania para além da sala de aula. Um exemplo é o Colégio Santo Agostinho, da Rede Lius Agostinianos, em Minas Gerais, que incorporou o voluntariado à proposta curricular, com registro das horas no histórico escolar dos alunos a partir do 6º ano do Ensino Fundamental. No primeiro semestre de 2024, 846 estudantes participaram das atividades, somando mais de 10.140 horas de trabalho voluntário em 22 instituições, em áreas como educação, saúde e territorialidade. A ANEC também reuniu experiências de instituições de ensino na coletânea Voluntariado Educativo, Protagonismo Juvenil e Projetos Sociais, publicada em 2024.
“A escola tem um papel fundamental na formação de pessoas capazes de olhar para além de sua própria realidade. A solidariedade não se constrói apenas pelo discurso, mas pelas experiências vividas, pelo contato com diferentes contextos sociais e pela compreensão de que todos temos responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa. Quando essas experiências fazem parte do processo educativo, os estudantes aprendem que o conhecimento também deve estar a serviço do bem comum”, afirma a Ir. Iraní Rupolo.
A ANEC é uma entidade sem fins lucrativos, de caráter educacional e cultural, representante da Educação Católica no Brasil, reunida em comunhão de valores com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). A instituição atua em 900 municípios, realiza 172 obras sociais e tem como associadas 1.200 escolas — que incluem creche, Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio — e 79 instituições de Ensino Superior, que atendem a mais de 1,5 milhão de alunos, além de 359 mantenedoras.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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