'Desafio de Flávio é ser presidente de direita normal', avalia economista Samuel Pessôa
O economista Samuel Pessôa, doutor pela USP e pesquisador associado do FGV Ibre e do BTG Pactual, avalia que o principal desafio de Flávio Bolsonaro, caso eleito, é ser "um presidente de direita normal". Em entrevista à BBC News Brasil, ele definiu esse modelo como a gestão do presidencialismo de coalizão "segundo o livro-texto da Ciência Política", com um programa comum e poder repartido entre os partidos aliados.
Segundo Pessôa, Flávio teria "condições privilegiadas" para isso por pertencer ao mesmo campo político da média do Congresso Nacional. Sem a dissonância ideológica entre o Palácio do Planalto e as casas legislativas, haveria mais espaço para cooperação e negociação de um programa de governo comum entre o Executivo e os partidos. O economista cita a necessidade de o candidato construir uma base parlamentar com legendas como PP, Republicanos, União Brasil, MDB e PSD, compartilhando poder de forma proporcional ao tamanho de cada uma no Congresso.
As incógnitas apontadas por Pessôa são duas: se Flávio fará essa gestão e quanto do capital político da "lua de mel" gastará na agenda de libertar o pai. Ele observa que, se o indulto ao pai for questionado no Supremo e a Corte entender que o instrumento não se aplica ao caso, o presidente eleito terá de decidir entre virar a página e governar ou entrar numa disputa com o Legislativo e o Supremo — o que consumiria todo o capital político e inviabilizaria o governo.
Na avaliação do economista, o mercado vê "com bons olhos" uma vitória de Flávio, por considerar que um governo dele tem condições e vontade de promover um ajuste mais rápido nas contas públicas, o que está por trás dos juros "extremamente elevados". Sobre os nomes cotados para a área econômica, Pessôa afirmou que são pessoas com "ótimos currículos", mas disse que sua maior preocupação é a construção política.
Em relação a Lula, Pessôa comparou a situação à de Dilma em 2014-15, com uma economia "claramente à plena carga" e impulso fiscal que não gera grande crescimento. Segundo ele, se Lula ganhar, "as coisas pioram no mercado", e a reação levaria o presidente, "um homem pragmático", a desenhar um programa de ajuste fiscal, ainda que moderado. O economista também afirmou que "a dinâmica da dívida pública piorou muito" e estimou em R$ 420 bilhões o gasto adicional no quadriênio com a volta da valorização do salário mínimo e a reindexação dos pisos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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