De colônia de imigrantes a potência industrial: os 500 anos que transformaram a economia de Santa Catarina
Santa Catarina chega aos 500 anos com uma economia diversificada e competitiva, mas a trajetória que levou o estado do litoral de colônias de subsistência a polos industriais globais começou há séculos, com a chegada de imigrantes europeus. O processo de industrialização, que teve início em núcleos de colonização, deu origem a polos como o têxtil no Vale do Itajaí, o metalmecânico em Joinville e a agroindústria no oeste do estado.
Um exemplo recente dessa resiliência industrial é a Teka, tecelagem centenária de Blumenau. Em junho, a 2ª Câmara de Direito Comercial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina decidiu, de forma unânime, afastar a falência da empresa, que segue em recuperação judicial desde 2012. A companhia, que acumulou dívidas de bilhões de reais, projeta faturar cerca de R$ 550 milhões em 2026. O plano de reestruturação incluiu um acordo trabalhista de aproximadamente R$ 70 milhões com mais de 2,3 mil trabalhadores e ex-funcionários, além da venda de imóveis e unidades desativadas.
O caso da Teka ilustra um quadro mais amplo. O estado é o segundo mais competitivo do Brasil, líder em capital humano e segurança pública, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados 2025. Especialistas apontam, no entanto, que o crescimento da indústria supera a capacidade das rodovias e acessos portuários, e o estado precisará investir cerca de R$ 57 bilhões até 2029 para evitar um colapso logístico.
A base da estrutura produtiva catarinense foi formada por sucessivas levas de imigrantes germânicos e italianos a partir do século XIX. Joinville se consolidou como polo do complexo eletro-metal-mecânico, enquanto Blumenau e o Médio Vale do Itajaí se tornaram o centro do complexo têxtil-vestuário, com iniciativas que remontam a 1880. No sul, Criciúma ficou associada à socioeconomia do carvão e depois diversificou para cerâmica de revestimento.
Entre 1880 e 1945, nasceram e ganharam escala as indústrias madeireira, alimentar, carbonífera e têxtil. A partir dos anos 1960, planos estaduais de desenvolvimento e bancos de fomento impulsionaram grupos como Tupy, Hering, Sadia, Perdigão e WEG, que sintetizam a passagem de pequenas manufaturas coloniais a referências nacionais. Para economistas, a formação de aglomerados produtivos especializados, com instituições de apoio e capacitação, diferencia o estado do padrão brasileiro concentrado em poucas metrópoles.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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