Cristãos em saída, companheiros de viagem de quem está ferido e
O Papa Leão XIV deixou, ao longo de sua viagem apostólica à França, um conjunto de orientações que, segundo editorial do Vatican News assinado por Andrea Tornielli, valem para toda a Igreja. O fio condutor das mensagens dirigidas à Igreja francesa e à Europa é a atitude que os cristãos devem assumir em sociedades secularizadas, nas quais muitas pessoas feridas buscam um sentido para a vida.
Na homilia das vésperas em Notre Dame, o Pontífice lembrou que a Igreja é chamada a estar sempre "em saída", para permanecer fiel ao Deus da Encarnação. Essa característica, segundo ele, deve impedir que a comunidade cristã se torne um enclave — uma fortaleza protegida para a qual se retirar e se defender das contradições do tempo presente. Leão XIV alertou que essa tentação ressurge especialmente hoje, quando se teoriza que a única forma de sobreviver seria constituir pequenas comunidades de crentes convictos, separadas do mundo. Em vez disso, disse o Papa, a comunidade cristã se assemelha mais à antiga catedral: um espaço de acolhimento, respeito, anúncio e sentido oferecido a todos.
O Papa citou na homilia a exortação apostólica Evangelii gaudium, de seu predecessor Francisco, e afirmou que "a pobreza de meios não impede a missão, pois é a graça de Deus que facilita a liberdade interior e a sobriedade de vida, de modo a refletir um estilo evangélico". A mensagem, segundo o editorial, deixa claro que o testemunho evangélico não depende de estruturas e meios poderosos nem de estratégias de marketing do neo-proselitismo.
No encontro com membros da Assembleia Sinodal Provincial, catecúmenos e neófitos, Leão XIV destacou a importância de acolher e acompanhar quem tem "trajetórias de vida mais complexas e menos lineares". É nesse ponto que o estilo da proximidade, da compaixão e da ternura ganha sentido, propondo caminhos que respeitem os ritmos de cada pessoa, "avançando com gradualidade, atenção e em um acompanhamento fraterno". Trata-se de "caminhar juntos", sabendo fazer companhia e caminhar na noite com quem busca, sem se deixar engolir pela escuridão, com paciência e capacidade de esperar — como fez Santa Mônica com seu filho Agostinho, atitude descrita pelo cardeal Joseph Ratzinger em 1981 como o fato de deixá-lo livre, inclusive para errar.
Na homilia da missa na Place de la Concorde, diante de 800 mil pessoas, o Bispo de Roma pediu que os fiéis não guardem a fé em Jesus Cristo apenas para si, mas a deixem transbordar para saciar e preencher as pessoas que encontrarem, levando esperança onde reinam o desânimo e a aridez espiritual. Segundo o editorial, o tom adotado foi o oposto de qualquer triunfalismo ou vingança: o Papa lembrou que a própria Igreja precisa de conversão e que, para curar as feridas causadas por infidelidades e "dolorosos desvios" cometidos em seu seio, os cristãos precisam se colocar humildemente sob o olhar de Deus, reconhecendo seus próprios erros. É justamente nessa humildade de se reconhecerem pecadores que a graça transborda e a luz do Evangelho se reflete como caminho acessível a todos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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