Coreia do Norte publica fotos de Kim Jong-un: por que boatos sobre sua morte continuam surgindo?
O jornal estatal norte-coreano Rodong Sinmun publicou fotografias do líder Kim Jong-un ao lado da filha, Kim Ju-ae, durante o que o veículo descreveu como uma exposição de roupas e calçados. As imagens surgiram horas depois de um novo rumor sobre sua morte se espalhar pela internet e mostram Kim com aparência saudável, examinando vitrines acompanhado do grupo habitual de autoridades.
A alegação partiu de Wanjun Xie, dissidente chinês que vive nos Estados Unidos e se identifica como presidente do Partido Democrático Chinês, grupo proibido pelas autoridades chinesas. Sem apresentar provas, ele afirmou que Kim teria sofrido uma hemorragia cerebral grave e sido levado em coma para um hospital em Pequim, por falta de equipamentos médicos na Coreia do Norte, e que teria morrido em seguida. O corpo teria sido devolvido em segredo ao país, segundo Xie, que já divulgou afirmações não verificadas anteriormente, inclusive sobre a morte do líder chinês Xi Jinping.
Não há como saber exatamente quando as fotografias foram tiradas, mas outros indícios contrariam a versão do dissidente. Um colapso súbito de saúde de Kim costuma deixar sinais além das fronteiras norte-coreanas, como reforço de segurança da China na divisa, preparativos para eventual fluxo de refugiados e maior atividade em missões diplomáticas — nada disso foi observado. Desertores que vivem na Coreia do Sul, que costumam receber informações por redes informais na fronteira chinesa, também não relataram movimentação incomum. As autoridades de inteligência sul-coreanas disseram à agência Yonhap não ter ouvido nada que confirmasse os relatos.
Os boatos se repetem por ao menos dois motivos. O primeiro é a incerteza sobre a sucessão: a família Kim governa o país há três gerações, mas o cenário pós-Kim Jong-un é mais indefinido do que o dos antecessores. A inteligência sul-coreana acredita que ele possa estar preparando a filha para a sucessão, embora ela tenha cerca de 13 anos, a Coreia do Norte nunca tenha sido liderada por uma mulher e não haja indicação formal de herdeira. O segundo motivo é que os rumores não são totalmente implausíveis: Kim está acima do peso e é fumante inveterado, e o serviço de inteligência do país já alertou que seu estilo de vida o coloca em alto risco de doenças cardiovasculares — a família Kim já registrou AVCs e problemas cardíacos.
A Coreia do Norte segue como um território praticamente fechado à informação, o que facilita a circulação de notícias falsas. Poucos têm acesso regular ao líder, e as próprias agências de inteligência enfrentam dificuldade para obter dados confiáveis. O regime também é suspeito de alimentar deliberadamente a confusão, com o vazamento de informações enganosas. Em 2020, um conhecido desertor afirmou ter "99% de certeza" de que Kim havia morrido após uma cirurgia cardiovascular — e ele reapareceu em público pouco depois.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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