Confiança de empresários do comércio cai ao menor patamar do ano em agosto
A confiança dos empresários do comércio brasileiro recuou ao menor patamar do ano em agosto, segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), divulgado nesta quarta-feira (26) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Após ajuste sazonal, o indicador ficou em 101,3 pontos, uma queda de 0,6% na comparação com julho, embora ainda permaneça na faixa considerada otimista.
A piora foi puxada pela avaliação das condições atuais da economia, que recuou 2,5% no mês, enquanto a intenção de investir caiu 0,3%. Um dos principais motivos para a queda do otimismo é a taxa básica de juros, atualmente em 14%, com expectativa de redução ainda bastante lenta. Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, os custos elevados impedem que o empresário aumente os investimentos, apesar da disposição para trabalhar.
Na contramão do resultado geral, o indicador de expectativa futura subiu 1,1% na avaliação da economia e 0,3% na perspectiva para o próprio setor, alcançando 128,2 pontos. Esse otimismo levou os comerciantes a projetar aumento de 0,6% nas contratações e de 0,1% nos estoques, enquanto a intenção de investir em outras estruturas das empresas caiu 1,8%.
Entre os segmentos do comércio, a percepção sobre as condições atuais caiu em todos os grupos, com maior impacto nos produtos de maior valor. As quedas foram de 0,4% em roupas, calçados, tecidos e acessórios; 3,5% em supermercados, farmácias e cosméticos; e 4,6% em eletrônicos, eletrodomésticos, móveis, decoração, materiais de construção e veículos. Já o comércio de bens não duráveis apresentou sinais mais positivos para os próximos meses, com alta de 0,3% na expectativa futura e avanço de 0,6% na disposição para investimentos.
Tadros também relaciona o cenário ao nível de inadimplência das empresas e aos efeitos da política de juros. Dados da Serasa Experian apontam um endividamento recorde de 9,1 milhões de CNPJs negativados em junho, com dívidas em atraso de R$ 232,9 bilhões. A CNC aponta ainda incertezas no médio prazo diante da conjuntura econômica e do cenário de volatilidade interna e externa, em meio à proximidade da eleição presidencial de outubro. Para a economista Catarina Carneiro, mesmo uma redução responsável da Selic leva tempo para chegar aos preços e aliviar o orçamento de empresas e consumidores.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar