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Como tendência de compartilhamento de sangue pode estar alimentando nova crise de HIV

Por Ivan Marra
Atualizado em 30/10/2026 às 15:35 schedule 3 min de leitura visibility 13 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Fiji declarou estado de emergência nacional na semana passada em razão do aumento acelerado dos casos de HIV, tornando o arquipélago um dos principais focos de expansão da epidemia no mundo. Cerca de um em cada 60 adultos no país vive atualmente com o vírus, proporção que era de um em cada 167 há cinco anos. A decisão serve de alerta de que, apesar do progresso global, o HIV e a Aids continuam sendo uma ameaça significativa em algumas regiões, e os surtos podem rapidamente sair do controle.

O que agrava a crise recente é uma prática alarmante de compartilhamento de sangue entre usuários de drogas conhecida como "bluetoothing". Ela consiste em retirar sangue de alguém que acabou de consumir uma droga e injetá-lo em outra pessoa para que esta obtenha o mesmo efeito. Os usuários encaram o método como forma de economizar dinheiro, fazendo com que drogas intravenosas rendam mais. A prática também foi observada em países africanos, incluindo Lesoto, Zimbábue e África do Sul.

O HIV é transmitido pelo sangue, de modo que a transferência de sangue de uma pessoa para outra sempre traz risco de transmissão do vírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a prática cria um "risco excepcionalmente alto" de transmissão de outras infecções, como hepatite B e C, além de infecções bacterianas graves. Compartilhar agulhas já é comum em Fiji, onde o acesso a equipamentos de injeção esterilizados pode ser difícil, mas a chegada do bluetoothing sugere que a pobreza está entre os principais fatores por trás do comportamento de risco.

A extensão do problema e sua parcela de responsabilidade pela crise em Fiji são controversas. Em 2024, o Ministério da Saúde de Fiji reconheceu a prática como um dos fatores que contribuíram para o aumento dos casos no país e, em janeiro, descreveu um surto de HIV como "crise nacional", afirmando que implementaria um programa de distribuição de seringas e agulhas. A OMS, porém, afirmou haver poucas evidências de que o bluetoothing fosse generalizado em Fiji, após avaliação rápida realizada em dezembro do ano passado: a pesquisa entrevistou 56 pessoas que injetavam drogas, das quais apenas duas relataram praticar o compartilhamento de sangue e quatro disseram ter presenciado a prática.

Agentes comunitários de saúde, no entanto, afirmam que se trata de um problema real e pressionam governos e agências a levarem a questão a sério. "Quantas vidas precisamos perder antes de realmente fazermos algo a respeito?", questiona Kalesi Volatabu, diretor executivo da ONG Drug Free Fiji, que diz ter testemunhado a prática pela primeira vez. Formas semelhantes de compartilhamento direto de sangue foram documentadas sob outros nomes, como o "flashblood" entre pessoas que injetam drogas na Tanzânia, segundo Eamonn Murphy, diretor regional da Unaids, embora ele tenha acrescentado que não se trata de uma "tendência global generalizada". Globalmente, estima-se que cerca de 41 milhões de pessoas tenham HIV, de acordo com a Unaids.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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