Como PF e PGR mapeiam suposta rede de exploração sexual de Vorcaro: 'Voo das kengas é para sair de manhã'
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) atuam para mapear a suposta rede de exploração sexual de mulheres que teria sido operada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A investigação, ainda em fase preliminar e revelada nesta semana pelo portal UOL, apura duas suspeitas centrais relacionadas ao empresário, preso desde março deste ano por supostos crimes contra o sistema financeiro nacional.
A primeira frente verifica se Vorcaro se beneficiou, direta ou indiretamente, da suposta rede, usando-a para obter acesso e influência sobre políticos, autoridades e empresários. A segunda apura se ele tinha conhecimento e autorizou o recrutamento e o transporte, doméstico e internacional, de mulheres para a prática de prostituição em eventos por ele financiados. A pena para exploração sexual varia de dois a cinco anos de prisão, e o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual pode levar a cinco a oito anos de detenção.
As mensagens extraídas pela PF do celular do banqueiro revelam contatos com promotores de eventos no Brasil e no exterior que organizaram festas para Vorcaro nos últimos três anos com a presença de mulheres. A investigação já mapeou ao menos três pessoas além de Vorcaro. Uma delas é o empresário Leo Serrano, sócio da SL Consulting, empresa que, segundo as mensagens, cuidava de parte da logística internacional dos eventos. Em conversa obtida pela BBC News Brasil, Vorcaro pede o transporte de mulheres para Nova York em maio de 2024: "O voo das kengas tem que sair de manhã", diz o banqueiro, que complementa: "Não posso chegar junto com elas". Serrano responde combinando o horário do voo.
Outro alvo é o promotor de eventos Diogo Batista. Em mensagens, ele e Vorcaro citam a participação de mulheres estrangeiras em eventos financiados pelo banqueiro, com referências a refugiadas ucranianas e ao termo "escravizar" em relação a mulheres. A terceira pessoa investigada é uma mulher que, nas conversas, cobra pagamentos ligados à participação dela e de outras mulheres nas festas. Segundo as fontes, a apuração precisa definir se os pagamentos feitos à SL Consulting e a Batista se referiam apenas à presença social das mulheres ou se envolviam a organização de encontros sexuais, além de rastrear o fluxo de dinheiro e identificar quem contratava, pagava e coordenava os deslocamentos.
Procuradores da PGR e da PF mantiveram reuniões sobre o assunto nos últimos meses, mas as investigações ainda não fazem parte de um inquérito específico. A expectativa, segundo uma fonte da PF, é de que um inquérito dedicado ao caso seja aberto em breve. A defesa de Vorcaro negou a prática de exploração sexual de mulheres, e a defesa de Serrano afirmou que sua empresa não participou de atividades ilícitas. A assessoria do ministro Kassio Nunes Marques negou ter pedido qualquer favor ao banqueiro.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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