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Como os grupos terroristas estão usando a Inteligência Artificial a seu favor

Por Ivan Marra
Atualizado em 18/08/2026 às 12:15 schedule 3 min de leitura visibility 26 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Relatório de Cambridge revela como o Estado Islâmico usa IA para planejar ataques e construir bombas

Um estudo conduzido pela Universidade de Cambridge documentou como grupos terroristas islâmicos incorporaram a inteligência artificial às suas operações, transformando a tecnologia em ferramenta para planejamento de atentados, ensino de técnicas de combate e construção de explosivos. A pesquisa, baseada em 57 entrevistas com 27 ex-membros do Boko Haram, grupo jihadista do norte da Nigéria, resultou em um relatório de 93 páginas que aponta um cenário mais grave do que análises anteriores sugeriam.

Segundo o documento, entre 2023 e 2025 o Estado Islâmico montou uma rede de instrutores especializados em IA para treinar seus seguidores na Nigéria e em Camarões. Os entrevistados relataram que homens da Líbia, França e Iraque, descritos como "brancos que vieram nos treinar", organizaram visitas ao Estado de Borno com grupos de até vinte instrutores, alguns dedicados exclusivamente à tecnologia. Após as sessões de formação, um novo lema passou a circular entre as fileiras do Boko Haram: "Alá nos ajudou, e a IA também ajudará".

O relatório descreve ainda uma estrutura logística para evitar rastreamento, com pessoas em diferentes localidades criando contas que não podem ser vinculadas ao grupo e pagando as assinaturas dos serviços de IA. O acesso às ferramentas é restrito: combatentes de patentes inferiores não utilizam os sistemas diretamente, mas encaminham perguntas aos comandantes das unidades de inteligência artificial, que operam as plataformas e repassam as respostas. O objetivo das unidades especializadas é oferecer suporte em tempo real aos combatentes em campo, com uso de câmeras corporais que transmitem imagens de atentados.

Um episódio narrado no estudo ilustra a dimensão do fenômeno. A Província do Estado Islâmico na África Ocidental tentou por anos atacar uma base militar no leste da Nigéria, mas era impedida por um fosso ao redor do complexo. Após receber as características das motocicletas e a distância a ser percorrida, o assistente de IA forneceu instruções precisas. Nos testes práticos, dezoito militantes morreram antes que oito tivessem sucesso. Os jihadistas também relataram usar documentários de guerra norte-americanos, como os sobre o Afeganistão, como inspiração para novas táticas.

O estudo é respaldado por uma investigação da ONG Tech Against Terrorism, apoiada pela Organização das Nações Unidas, que submeteu mais de 2.300 solicitações baseadas em casos reais de uso por terroristas a 27 modelos de IA. O resultado: 32% dos pedidos geraram informações utilizáveis, percentual que subiu para 42% quando a pergunta era reformulada com finalidade de pesquisa. "É hora de parar de considerá-la um risco hipotético para o futuro e começar a vê-la como uma ameaça atual e crescente para a segurança nacional", conclui o estudo.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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