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Como o guarani, idioma nativo do Paraguai, se tornou a nova língua moderninha pelo mundo

Por Ivan Marra
Atualizado em 08/09/2026 às 08:20 schedule 3 min de leitura visibility 28 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O guarani, idioma nativo dos indígenas do Paraguai e de povos de outros países sul-americanos, ganhou destaque internacional e passou a ser tratado como uma língua “moderninha” pelo mundo. A campanha surpreendente da seleção paraguaia na Copa do Mundo de 2026, disputada entre junho e julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México, aumentou a badalação em torno do idioma, que já vinha conquistando espaço em redes sociais, aplicativos de ensino e até na educação presencial de outros países.

Em agosto, a revista inglesa The Economist publicou uma reportagem descrevendo o guarani como “o idioma hipster da América do Sul mais descolado que o espanhol”. Segundo a publicação, influenciadores lotam o TikTok e o Instagram com tutoriais de vocabulário, artistas divulgam rap e jazz em yopará — mistura do guarani com o espanhol — no Spotify, e pais antenados dão aos filhos nomes como Yerutí (pomba) e Marangatu (virtuoso). O idioma também é ensinado em aplicativos como o Duolingo e, em 2023, a Associação Canadense de Professores de Segunda Língua (CASLT) criou um material específico sobre guarani para professores de ensino fundamental, médio e superior no Canadá.

Um dos fatores para a popularidade recente foi a estratégia dos jogadores paraguaios de utilizar o guarani dentro de campo para “despistar” atletas e técnicos de outros países que também falam espanhol. A imprensa internacional destacou a tática, adotada há alguns anos pela seleção conhecida como Albirroja, que eliminou a tetracampeã mundial Alemanha na segunda fase da Copa. “O guarani é uma parte intrínseca da nossa identidade”, disse o torcedor paraguaio Nati Martinez, em entrevista ao The Athletic, site de esportes do grupo The New York Times. “Falar um segundo idioma é uma vantagem, pois os jogadores conseguem se comunicar de uma forma que ninguém mais entende.”

O idioma também ganhou espaço em outras manifestações culturais e institucionais. Em maio, a Delegação da União Europeia no Paraguai apoiou uma apresentação no Teatro Municipal Ignacio A. Pane, em Assunção, na qual a Orquestra Sinfônica do Congresso Nacional interpretou pela primeira vez o “Hino à Alegria”, de Ludwig van Beethoven, com versos traduzidos para o guarani. O presidente paraguaio, Santiago Peña, também aderiu à onda: em evento no departamento de Misiones em outubro de 2025, prometeu que se tornaria fluente no idioma, brincando que “guarani” também é o nome da moeda paraguaia.

Dados oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) do Paraguai, por ocasião do Dia do Idioma Guarani, comemorado em 25 de agosto, mostram que 27,9% da população paraguaia a partir dos cinco anos fala apenas guarani em casa e 38,7% usa tanto o guarani quanto o espanhol no dia a dia. No Brasil, o paraguaio Julio Alfonzo, de 38 anos e radicado no país desde 2008, mantém canais nas redes sociais para ensinar o idioma. Ele relatou que seu canal principal no YouTube tem 56 mil seguidores e que, no Instagram, o número de seguidores saltou de 600 para 8 mil em uma semana. Alfonzo afirmou que já tem mais de 60 alunos em um grupo de guarani básico e destacou que o brasileiro costuma aprender mais rápido do que quem fala espanhol, apesar das diferenças estruturais do idioma em relação ao português.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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