Como Jair Bolsonaro quase conseguiu em 2022 a virada que Lula almeja no 2º turno
Em 2022, Jair Bolsonaro conseguiu um movimento eleitoral que, segundo o cientista político Rodrigo Mahlmeister, pesquisador da Duke University, foi um verdadeiro "milagre" eleitoral. Depois de perder o primeiro turno por 6,1 milhões de votos, o então candidato à reeleição angariou cerca de 7,1 milhões de novos eleitores, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva somou 3 milhões. Bolsonaro elevou seus votos em quase 14% entre os dois turnos; Lula cresceu pouco mais de 5%. É esse tipo de movimento que a campanha do petista almeja fazer agora.
Naquele pleito, Lula teve 48,43% no primeiro turno, contra 43,20% de Bolsonaro. No segundo turno, a diferença final foi de 2,1 milhões de votos, a mais apertada entre todas as eleições presidenciais desde a redemocratização. Mahlmeister usa a metáfora de uma maratona: em 2022, Lula entrou no segundo turno ao lado da linha de chegada, e Bolsonaro precisava acelerar e, ao mesmo tempo, impedir que o adversário avançasse. "A virada não aconteceu por muito pouco", diz o cientista político.
Analistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que repetir esse movimento será mais difícil para Lula agora. O cientista político Jairo Pimentel, da FESP-SP, calcula que Flávio Bolsonaro tem 80% de chance de ser eleito no segundo turno, considerando o histórico de eleições presidenciais de dois turnos e a lógica de transferência de votos dos candidatos derrotados. Segundo ele, os concorrentes derrotados no primeiro turno são mais refratários a Lula do que na composição da eleição passada. Em 2022, Simone Tebet e Ciro Gomes somaram juntos 7% na disputa inicial e depois se juntaram à campanha do petista.
Outro fator apontado é o estoque de benefícios sociais. Mahlmeister observa que os benefícios concedidos por Bolsonaro às vésperas do pleito de 2022 foram maiores e mais impactantes eleitoralmente do que os entregues por Lula nos últimos meses. Em julho daquele ano, Bolsonaro anunciou reajuste de 50% no piso do Auxílio Brasil, que passou de R$ 400 para R$ 600, elevando o orçamento do auxílio de R$ 38,3 bilhões previstos em 2021 para R$ 89 bilhões em 2022. Além disso, parte da base eleitoral de Lula no Nordeste migrou para a candidatura de Flávio Bolsonaro, e especialistas dizem que convocar eleitores que não foram às urnas dificilmente terá sucesso, já que se trata de pessoas de baixa renda para quem participar da eleição é mais custoso do que ficar em casa.
As primeiras pesquisas de intenção de voto no segundo turno indicam vantagem de três pontos, em média, para Flávio Bolsonaro, segundo o agregador da BBC News Brasil. Os números "animaram muito" a campanha de Lula, segundo uma fonte da equipe do petista que não quis se identificar, que afirmou haver expectativa interna de diferença maior nas sondagens iniciais. Pelos dados do Datafolha publicados na quinta-feira (8/10), 6% do eleitorado diz poder mudar a escolha até o dia 25.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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