Como Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio, usou ligações com Collor e Calheiros para crescer no Congresso
Antes de ser anunciado como candidato a vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar construiu uma trajetória política apoiada em vínculos familiares com tradicionais grupos de Alagoas. Seu pai, Carlos Alberto Pinheiro de Mendonça, foi conselheiro da família Collor de Mello e trabalhou nas Organizações Arnon de Mello. Quando o ex-presidente Fernando Collor disputou o governo alagoano em 2010, pelo PTB, Carlos Alberto foi seu coordenador de campanha. Gaspar também herdou ligações com o poder por meio do casamento com Adriana Andrade, filha de Moacir Lopes de Andrade, ex-governador de Alagoas entre 1989 e 1991, que assumiu o cargo após Collor deixar o governo para concorrer ao Planalto.
Advogado, Gaspar ingressou no Ministério Público alagoano em 1996 e atuou em frentes de combate ao crime organizado: coordenou o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (GECOC) e presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), vinculado ao Conselho Nacional de Procuradores-Gerais de Justiça. No GECOC, comandou denúncia contra a ex-prefeita de Piranhas Mellina Freitas, acusada de 483 crimes, entre eles desviar cerca de R$ 16 milhões em obras públicas. Apesar do apontamento, ela não foi presa à época e, no fim de 2014, foi nomeada secretária de Cultura pelo governador eleito Renan Filho (MDB). No mesmo governo, Gaspar assumiu a pasta da Defesa Social, onde ficou até 2016.
Ele também denunciou Marcelo Victor, hoje presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, e Fernando Toledo, ex-presidente da Casa e atual chefe do Tribunal de Contas do Estado, por suposto desvio de recursos do Legislativo em 2012 — processo que acabou arquivado. Em 2020, Gaspar disputou a Prefeitura de Maceió pelo MDB de Renan Calheiros. Foi o mais votado no primeiro turno, com 110.234 votos (28,87%), mas perdeu o segundo turno para João Henrique Caldas. Depois, tornou-se secretário de Segurança Pública do estado, cargo que deixou para se candidatar a deputado federal em 2022.
Eleito naquele pleito, ganhou protagonismo na Câmara a partir do ano passado, ao assumir a relatoria da CPMI do INSS, entre agosto de 2025 e março de 2026. Antes disso, seus discursos se concentravam em segurança pública e corrupção — quase metade dos cerca de 140 pronunciamentos em plenário abordava o tema, segundo levantamento baseado nas notas taquigráficas da Casa. Cerca de 52% dos discursos miravam o presidente Lula, o PT ou a esquerda. Como relator da CPMI, pediu indiciamento de ex-ministros e de aliados do governo, em relatório que foi rejeitado. Na Câmara, assinou 116 proposições, das quais 44 são de autoria própria. Até agora, nenhum projeto de sua autoria virou lei.
Foi no último dia da CPMI do INSS que as acusações de estupro contra Gaspar vieram a público. Durante um bate-boca com o deputado Lindbergh Farias (PT), ele o chamou de "estuprador". Depois, em entrevista coletiva ao lado da senadora Soraya Thronicke, explicou que os dois tinham recebido dias antes uma denúncia sobre o caso.
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