Como a Rússia manda soldados feridos de volta para a linha de frente na Ucrânia
Documentos obtidos pela BBC News Rússia revelam que soldados feridos, incluindo prisioneiros recrutados em troca de libertação, foram enviados de volta à linha de frente na Ucrânia sem passar pelas avaliações médicas obrigatórias. O material indica que a prática ocorreu de forma sistemática, contrariando os protocolos estabelecidos para o tratamento de militares em condição de combate.
De acordo com os registros, parte desses combatentes apresentava lesões que exigiriam afastamento ou reabilitação, mas foi reintegrada às unidades de ataque mesmo sem laudo que atestasse aptidão. A situação atinge de maneira particular os recrutas oriundos do sistema prisional, que aceitaram servir em troca de benefícios legais e acabaram sendo tratados como mão de obra descartável no conflito.
Os documentos também apontam que a cúpula militar russa tinha conhecimento do encaminhamento irregular, uma vez que as ordens de retorno ao front partiam de comandos superiores. Em diversos casos, não há registro de que os feridos tenham recebido atendimento hospitalar adequado antes de serem reposicionados, o que agravou o quadro clínico de muitos soldados.
Especialistas ouvidos pela reportagem classificam a conduta como violação de normas internacionais de guerra, que exigem tratamento digno e assistência médica a todos os combatentes, independentemente da origem do recrutamento. A BBC não obteve resposta oficial do Ministério da Defesa russo sobre o conteúdo dos documentos até o fechamento desta edição.
O caso reacende o debate sobre as condições enfrentadas pelos prisioneiros que aceitam integrar as forças armadas russas, promessa feita pelo governo como alternativa à prisão. Organizações de direitos humanos monitoram a situação e pedem investigação independente sobre o tratamento dado a esses militares.
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