Como a nova direita que governa a América Latina se alinha a Trump diante dos olhos do mundo
Em um cenário político que se desenha sob os olhos do mundo, presidentes de países da América Latina endossaram em Nova York as políticas de linha dura na segurança promovidas pelos Estados Unidos. Durante a Assembleia Geral da ONU, o presidente americano Donald Trump apresentou o poderio militar ativo dos EUA no hemisfério como uma conquista de seu governo, citando a ação militar na Venezuela para prender o então presidente Nicolás Maduro e o controle obtido sobre parte das reservas de petróleo do país.
Após o discurso, Trump ouviu elogios de líderes latino-americanos. O presidente paraguaio, Santiago Peña, parabenizou-o em uma reunião do Escudo das Américas, coalizão criada em março para combater o crime organizado. A presidente do Peru, Keiko Fujimori, que assumiu o cargo em julho, também aplaudiu a liderança de Trump e afirmou que "a única maneira de combater o crime é sendo duro". O Chile, governado por José Antonio Kast, aderiu à aliança de 15 países, que declararam disposição de impor sanções contra grupos classificados como narcoterroristas, entre eles o PCC.
A afinidade se manifesta sobretudo em temas de segurança, mas há indícios de que esteja se ampliando para outras áreas. Trump destacou uma "grande guinada à direita" na região e se vangloriou de ter apoiado eleitoralmente alguns presidentes. O maior contraponto veio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém" e alertou para o retorno da interferência externa em processos eleitorais.
Enquanto isso, um relator especial da ONU para direitos humanos afirmou em relatório que os ataques dos EUA contra supostas embarcações de narcotráfico, que já mataram mais de 220 pessoas no Caribe e no Pacífico, "violam o direito internacional" e "plausivelmente constituem crimes contra a humanidade". O autor do relatório, Ben Saul, também criticou o Escudo das Américas por priorizar uma resposta centrada na segurança, sem compromissos explícitos com direitos humanos ou com as causas profundas do crime organizado.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar