Colômbia encerra diálogos da “paz total” e adota linha dura contra grupos armados
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, encerrou formalmente as negociações mantidas pelo governo anterior com grupos armados ilegais no âmbito da chamada “paz total”. A decisão foi oficializada por resoluções expedidas na noite de sexta-feira (28) e divulgadas no sábado (29), que revogam nomeações de representantes do governo e reconhecimentos concedidos a delegados das organizações que participavam dos diálogos.
Entre os grupos atingidos estão o Estado-Maior dos Blocos Magdalena Medio, Comandante Gentil Duarte, Comandante Jorge Suárez Briceño e Frente Raúl Reyes (EMBF), a Coordenação Nacional do Exército Bolivariano (CNEB) e as Autodefesas Conquistadoras da Serra Nevada (ACSN). Em uma das decisões, o governo afirma que acontecimentos recentes “enfraqueceram o diálogo” com a CNEB e impediram que fosse demonstrada uma “real vontade de paz e reintegração à vida civil” dos integrantes.
A medida representa ruptura com a principal política de segurança do ex-presidente Gustavo Petro, que buscava negociar simultaneamente com guerrilhas, dissidências das FARC e grupos criminosos. As resoluções também anularam as credenciais dos negociadores oficiais. Armando Novoa, principal negociador do governo nas conversas com a CNEB, classificou a decisão como “desnecessária”, argumentando que os representantes já haviam apresentado sua “renúncia irrevogável” em 6 de agosto, um dia antes da posse de De la Espriella.
Antes de assumir a Presidência, De la Espriella já havia sinalizado que abandonaria a estratégia do antecessor, afirmando que não ofereceria “concessões inaceitáveis” e que a possibilidade de diálogo estava “completamente esgotada”. A nova orientação prioriza operações militares: em 17 de agosto, o presidente anunciou a prisão de integrantes de dissidências das FARC, com apreensão de explosivos, armas e munições, e declarou que o crime seria enfrentado “com todo o rigor da lei”.
Paralelamente, a Colômbia amplia a cooperação internacional. Em 27 de agosto, autoridades de Defesa da Colômbia, do Equador e dos Estados Unidos se reuniram em San Lorenzo, no Equador, para discutir estratégia conjunta contra organizações criminosas na fronteira, incluindo compartilhamento de inteligência e coordenação de operações contra o narcotráfico.
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