China trava carne bovina do Brasil com tarifa de 67%
O Brasil atingiu pela primeira vez o limite anual de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina previsto na salvaguarda chinesa para embarques sem tarifa punitiva. Com a cota superada, todo lote que desembarcar em portos chineses a partir de 1º de outubro passa a recolher sobretaxa adicional de 55%, acumulada à tarifa padrão de importação de 12%, o que eleva a tributação total a 67%.
Segundo Diogo Oliveira, operador de comércio exterior do Frigorífico Astra, de Cruzeiro do Oeste, no noroeste do Paraná — única planta do estado habilitada pelo governo chinês para o envio direto de carne bovina —, a operação com o imposto de 67% se torna inviável. "O consumidor de lá não tem como assumir esse imposto e nem nós temos como baixar o preço para tornar a operação viável. Nossa estratégia agora é diversificar mercados", afirma. A empresa já previa o esgotamento do teto desde meados do ano e antecipou sua logística para evitar que contêineres chegassem à Ásia no período de tarifação cheia.
Para o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep), Ágide Eduardo Meneguette, a participação paranaense no volume exportado de carne bovina para os chineses é historicamente pequena, o que reduz o impacto direto de uma eventual desaceleração nos portos asiáticos. A vocação do estado na pauta internacional de proteínas é focada na avicultura: conforme dados do Comex Stat, o Paraná é o maior exportador de carne de frango do país, enquanto a pecuária de corte é voltada predominantemente ao consumo regional e ao mercado doméstico.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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