'Chegou a hora de a Ucrânia ter um novo presidente', diz Trump após Zelensky condenar acordo sobre diesel com a Rússia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "é hora de a Ucrânia ter um novo presidente", em resposta às críticas do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ao acordo de fornecimento de diesel entre os EUA e a Rússia. A declaração foi dada a repórteres do lado de fora da Casa Branca no sábado.
Zelensky havia alertado que o acordo para liberar milhões de toneladas de diesel russo aos EUA daria a Moscou recursos para continuar a guerra contra a Ucrânia, classificando o entendimento como um presente para o presidente russo, Vladimir Putin. Trump rebateu dizendo que Zelensky "quer criar problemas para o mundo" ao continuar autorizando ataques a refinarias russas. "É melhor ele parar imediatamente", disse, antes de sugerir que a Ucrânia deveria "ter um novo líder que possa chegar a um acordo".
O presidente americano confirmou na sexta-feira que foi firmado um acordo com Moscou para suspender as sanções às exportações russas de diesel até 7 de abril. Nos termos do entendimento, a Rússia liberaria inicialmente 300 mil toneladas de diesel "para o mercado americano e global", seguidas por mais 500 mil toneladas em novembro. Mais um milhão viria a seguir, segundo Trump, e depois outros 3 milhões de toneladas "em um curto período de tempo", condicionados às condições das refinarias russas.
Zelensky acusou Moscou de interpretar o acordo "como uma permissão para continuar lutando, para continuar bombardeando cidades", após novos ataques em Zaporizhzhia. Ele conversou com aliados no sábado para discutir os desdobramentos e pediu "decisões concretas para proteger vidas na Ucrânia" e a segurança europeia. Um porta-voz do Reino Unido informou que o primeiro-ministro britânico conversou com Zelensky e ofereceu sua "total solidariedade", e ambos concordaram que a Rússia deveria aceitar um "cessar-fogo energético imediato".
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também criticou o acordo, concordando com Zelensky que a suspensão das sanções "fornece a Moscou mais recursos para financiar a guerra". "Este não é o momento de aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará", afirmou. Segundo ela, os ministros das Relações Exteriores europeus pretendem aprovar na segunda-feira o maior pacote de sanções contra a Rússia desde o início da invasão da Ucrânia.
Desde a invasão russa em 2022, a Ucrânia está sob lei marcial, o que significa que as eleições estão suspensas. Trump já havia pedido novas eleições no país em dezembro passado, afirmando que os eleitores ucranianos deveriam ter a opção de substituir Zelensky. O enviado de Putin, Kirill Dmitriev, descreveu a intervenção de Trump como "icônica e histórica", dizendo que a Ucrânia "precisa de uma liderança verdadeiramente focada na paz".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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