Causas dos Santos: a história não é uma "ameaça", mas um diálogo entre Deus e a humanidade
O bispo de Termoli-Larino, dom Claudio Palumbo, abriu o segundo dia do encontro promovido pelo Dicastério para as Causas dos Santos, em andamento no Augustinianum, em Roma. Em sua reflexão, o prelado propôs uma leitura do trabalho historiográfico sobre a santidade que recusa a ideia de que a história represente uma ameaça à fé.
Dom Claudio Palumbo definiu os santos como "anticorpos históricos". Segundo ele, mesmo sem serem "teólogos de profissão", os santos traduzem o Evangelho em ações concretas, o que os torna referências capazes de responder aos desafios de cada época. A expressão foi usada para sustentar a tese de que a história não se opõe à mensagem cristã, mas funciona como espaço de diálogo entre Deus e a humanidade.
A intervenção do bispo abriu a programação do dia, que segue voltada ao debate sobre os métodos e os critérios que orientam o estudo das causas de canonização. O encontro reúne especialistas e membros do dicastério para discutir como a pesquisa histórica e a reflexão teológica se articulam na análise dos processos.
Na sequência, o padre Godding, diretor da Société des Bollandistes, examinou as problemáticas e os instrumentos da pesquisa documental e arquivística. A sociedade, dedicada ao estudo das fontes hagiográficas, tem papel reconhecido no trabalho de verificação de documentos que fundamentam os processos de santidade.
As discussões do congresso giram, assim, em torno da relação entre fé e investigação histórica, tema central da reflexão proposta por dom Claudio Palumbo na abertura do segundo dia de trabalhos no Augustinianum.
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