Católicos e confucionistas firmam acordo inédito sobre dignidade humana
Católicos e confucionistas firmam acordo inédito sobre dignidade humana
Autoridades católicas e pensadores confucionistas concluíram neste mês sua primeira conferência conjunta, unindo as duas tradições em torno de "convicções compartilhadas" sobre ética, dignidade humana e responsabilidade social. O evento foi realizado nos dias 4 e 5 de agosto na Universidade Sogang, em Seul, na Coreia do Sul, promovido pelo Dicastério para o Diálogo Inter-religioso da Santa Sé, pela Conferência dos Bispos Católicos da Coreia e pela Academia Confucionista Sungkyunkwan.
Em declaração conjunta, os estudiosos reconheceram que as tradições surgem de "fundamentos religiosos e filosóficos diferentes", mas afirmaram que o diálogo revelou "importantes convicções compartilhadas". Entre os pontos de concordância está a ideia de que "o florescimento humano começa com a formação de indivíduos virtuosos, compassivos e responsáveis" e que a transformação pessoal e a vida ética são a base de famílias e sociedades saudáveis. As duas tradições também concordaram que uma sociedade justa depende de liderança enraizada na integridade, humildade e serviço ao bem comum, e que o cuidado com os vulneráveis e com a "casa comum" é uma responsabilidade moral e espiritual.
Diante do crescimento da inteligência artificial, os participantes encontraram semelhanças entre o espírito confucionista de benevolência e o valor cristão do amor, defendendo que todo progresso tecnológico deve aprimorar a dignidade humana e os valores éticos. O padre Paulin Batairwa Kubuya, subsecretário do dicastério, explicou que o tema da conferência foi baseado na visão cristã do "novo céu e nova terra", descrita no Livro do Apocalipse, e no conceito confucionista de "Datong" — a "grande unidade" ou "grande harmonia". Segundo ele, as duas visões descrevem um estado ideal de sociedade organizada para cuidar dos fracos e dos órfãos.
A conferência reuniu cerca de 150 participantes de mais de uma dezena de países. Os grupos planejam realizar dois encontros adicionais nos próximos quatro anos: um na Indonésia, em 2028, e outro em Hong Kong, em 2030. A declaração final reconheceu que as diferenças entre as tradições "não são barreiras para a amizade", mas um convite ao aprendizado mútuo e ao diálogo contínuo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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