Caso Master pode ser anulado por causa de crise entre ministros do STF?
Crise entre ministros do STF levanta dúvidas sobre futuro da operação contra o Banco Master
A crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF), marcada pela troca de acusações entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, colocou em questionamento a possibilidade de anulação do caso que investiga o Banco Master. Para a criminalista Marina Coelho, professora do Insper, a reação de Moraes teria como objetivo buscar a ampla anulação da Operação Compliance Zero ao colocar em dúvida a condução do processo.
"Ele escolheu, na defesa dele, o ataque. E esse ataque não dá para ser só em relação ao Mendonça, ele tem que atacar o Mendonça e a operação como um todo. No fundo, a defesa que ele pode fazer é uma defesa de nulidade, porque, no mérito, pelo que a gente percebe, é mais difícil [Moraes se defender]", afirmou a criminalista, que também é vice-presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo. Na avaliação dela, o que foi apresentado até o momento por Moraes não tem embasamento para contestar a conduta do colega. Ela questiona o relatório da Polícia Federal que aponta supostos crimes de Mendonça, classificando o documento como apócrifo e "sem valor probatório".
Já o criminalista Maurício Dieter, professor da Faculdade de Direito da USP, também não vê elementos para uma anulação ampla do caso Master. Segundo ele, as acusações contra Mendonça não destoam da atuação de outros ministros do STF nos últimos anos, citando como exemplo o próprio Inquérito das Fake News, aberto em 2019. "Não tem como levar muito a sério o argumento de usurpação de poder, de abuso de autoridade na condução de investigação pelo relator diante do histórico recente do Supremo", disse.
Dieter acrescenta que o estágio inicial da operação reduz o risco de uma anulação geral. "O caso Master é tão capilarizado na classe política, judiciária e no Ministério Público brasileiros que, ainda que uma eventual nulidade possa atingir parte da investigação, ela está ainda no começo", avaliou. O Banco Master foi liquidado em novembro de 2025, um dia após a primeira prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, e os desdobramentos da operação já atingiram políticos como o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e os senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner.
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