Call of Duty imagina Coreia do Norte invadindo o Sul, mas qual a chance de isso realmente acontecer?
O trailer da nova sequência da franquia Call of Duty mostra recrutas sul-coreanos em uma patrulha de rotina até que um ataque de mísseis da Coreia do Norte atinge o sul da península, reiniciando os combates entre os dois países. O vídeo de Modern Warfare 4, lançado em maio, teve 22 milhões de visualizações no primeiro dia e já soma 61 milhões; o lançamento do jogo está marcado para 23 de outubro. Críticos acusam a produção de transformar um conflito não resolvido em entretenimento, enquanto outros elogiam a narrativa contada do ponto de vista dos soldados sul-coreanos.
A pergunta do título tem resposta histórica: o Norte já invadiu o Sul em 25 de junho de 1950, dando início à Guerra da Coreia, encerrada por um armistício em 1953 — não por um tratado de paz. Mais de 70 anos depois, os dois países permanecem tecnicamente em guerra, com uma zona desmilitarizada de 4 km de largura entre eles. Em janeiro de 2024, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, declarou ao Parlamento que o país abandonou a reunificação como objetivo nacional, e a Constituição passou a descrever a Coreia do Sul como "adversário primário e invariavelmente o principal inimigo".
Especialistas e serviços de inteligência avaliam que uma ofensiva em larga escala é improvável. Relatório da Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos de 2023 apontou que Pyongyang usaria seu arsenal de mísseis balísticos e nucleares para influência regional e dissuasão, não para uma ofensiva ampla. O ex-oficial de Inteligência Nacional dos EUA Markus Garlauskas afirma que, se houvesse ataque, ele seria em "escala limitada", com mísseis e ameaça de escalada nuclear. O Norte tem cerca de 1,2 milhão de soldados, contra 450 mil do Sul, mas o orçamento de defesa sul-coreano é estimado em US$ 43 bilhões, contra US$ 1,6 bilhão do vizinho.
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