Boicotar ou conviver? O que a arte pode nos ensinar
A recente onda de boicotes a estabelecimentos comerciais identificados com apoiadores de Lula é mais um capítulo da guerra política que fragmenta a sociedade brasileira, segundo análise do articulista Francisco Escorsim. Ele argumenta que o boicote não é invenção da direita nem exclusividade da esquerda, mas instrumento antigo de pressão social, política e econômica que pode servir a causas diversas — algumas nobres, outras nem tanto.
O texto recorre à história e à arte para distinguir formas de recusa. Em 1955, a prisão de Rosa Parks por não ceder o lugar a um passageiro branco em Montgomery, no Alabama, desencadeou um boicote ao sistema de ônibus que se tornou episódio decisivo do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos. Já em 2003, a vocalista das Dixie Chicks, Natalie Maines, criticou o então presidente americano George W. Bush durante um show em Londres e viu emissoras e rádios deixarem de tocar as músicas da banda. O documentário Shut Up & Sing, de 2006, acompanha as consequências daquela declaração.
O articulista também cita Invictus, de Clint Eastwood, que retrata Nelson Mandela nos primeiros anos de sua presidência e sua aposta no rúgbi como oportunidade de aproximação em uma África do Sul ainda dividida após o apartheid. A conclusão proposta é que a pergunta central não é sobre o boicote em si, mas sobre o que ainda é possível compartilhar com aqueles de quem se discorda.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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