'Bela e poderosa': por que todos nós precisamos da gordura corporal
A gordura corporal costuma ser tratada como algo a ser eliminado, mas especialistas alertam que ela desempenha funções biológicas essenciais. Segundo a endocrinologista Elif Oral, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, "precisamos amar nossa gordura", porque ela cumpre um papel importante no organismo.
Existem dois tipos de gordura: a alimentar, ingerida na comida, e a corporal, forma que o corpo encontra de armazenar a energia de que não precisa. Quando se come mais calorias do que se gasta, as células de gordura, os adipócitos, armazenam o excesso na forma de lipídios e aumentam de tamanho. Em vez de ficarem passivas, essas células formam um órgão ativo que regula funções do corpo, como explica o professor Mikael Ryden, do Instituto Karolinska, na Suécia.
Entre essas funções está a comunicação. As células de gordura produzem hormônios que informam ao resto do corpo quanta energia há disponível. O mais estudado é a leptina, que sinaliza ao cérebro que existe armazenamento suficiente, permitindo que o organismo se concentre em processos como reprodução e combate a infecções. A gordura também ajuda a preservar o calor: a gordura branca isola o corpo, enquanto a marrom e a bege queimam energia para produzir calor.
Ter pouca gordura, por outro lado, traz riscos. A restrição severa de calorias leva o corpo a um modo de inanição, com desligamento de sistemas, incluindo o imunológico, além da decomposição de músculos e da suspensão da construção e reparo dos ossos, o que aumenta o risco de fraturas, segundo o professor Fredrik Karpe, da Universidade de Oxford. A queda da testosterona em homens muito magros e a irregularidade menstrual em atletas são outros efeitos citados. Estudos também associam o excesso de peso na meia-idade e entre idosos a maiores chances de sobrevivência em doenças críticas, fenômeno conhecido como paradoxo da obesidade.
Não existe um percentual ideal universal de gordura corporal. Em geral, homens adultos saudáveis têm cerca de 10% a 20%, mulheres adultas saudáveis cerca de 20% a 29%, e pessoas com obesidade acima de 30%. Entre atletas, os índices tendem a ser menores: em um estudo com mais de 700 esportistas, os menores valores encontrados foram de 10% em um homem e 16% em uma mulher.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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