Ataques de rebeldes houthis contra a Arábia Saudita desafiam pacto militar
O confronto entre a Arábia Saudita e os rebeldes houthis do Iêmen atingiu um nível crítico nos últimos dias, após o rompimento de um cessar-fogo que durou dois anos. Ataques aéreos contra o principal aeroporto saudita, em Riade, deixaram mortos e feridos e forçaram o fechamento do terminal. A escalada testa a recém-criada Aliança da Defesa de Meca, pacto militar firmado em agosto entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão.
A tensão ressurgiu em julho deste ano, motivada por uma disputa envolvendo o uso do espaço aéreo. O Irã enviou uma aeronave para buscar uma delegação houthi que participou do funeral do líder supremo Ali Khamenei. O governo oficial do Iêmen, que se opõe aos houthis, atacou o aeroporto da capital, Sanaa, por considerar o voo iraniano uma invasão territorial. Em retaliação, os houthis culparam a Arábia Saudita pelo bombardeio e iniciaram um bloqueio naval no Mar Vermelho, além de ofensivas terrestres e ataques a instalações de petróleo sauditas, culminando no bombardeio ao aeroporto Rei Khalid.
Conhecida como “Otan islâmica”, a Aliança da Defesa de Meca prevê ajuda mútua em caso de agressão a qualquer um dos membros, seguindo a lógica de defesa coletiva. Diante dos ataques recentes, porém, os aliados demonstraram cautela. A Turquia manifestou apoio diplomático, mas sem detalhar ações práticas. O Paquistão vive um impasse, pois atua como mediador entre Estados Unidos e Irã. Entrar no conflito contra os houthis, aliados dos iranianos, poderia comprometer sua neutralidade estratégica.
Apesar de Israel ter oferecido auxílio no combate aos rebeldes, o príncipe-herdeiro saudita Mohammed bin Salman recusou a proposta. O motivo principal é o receio de reação negativa da opinião pública interna, já que os dois países não mantêm relações diplomáticas oficiais. Além da questão cultural e religiosa, a oferta israelense foi vista por analistas internacionais como um movimento político para pressionar a Arábia Saudita a aderir aos Acordos de Abraão, que buscam normalizar laços entre o Estado judeu e nações muçulmanas sob mediação dos Estados Unidos.
Especialistas apontam que a Arábia Saudita demonstrou fragilidades inesperadas ao não conseguir proteger seu principal aeroporto contra drones e mísseis houthis. Analistas militares destacam que a incompetência tática saudita é preocupante, considerando o alto investimento em defesa. Os houthis agora possuem armamentos mais modernos, capazes de atingir diversas cidades sauditas, o que gera um problema de moral entre os aliados do reino. Para estabilizar a região, os sauditas precisarão coordenar melhor sua defesa com os membros do Pacto de Meca ou buscar uma nova intervenção direta dos americanos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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