Análise: quem está por trás dos tumultos na França e quem pode se beneficiar deles?
Os distúrbios que deixaram vitrines quebradas e ruas cobertas de cacos em Paris e em outras cidades francesas provocaram uma disputa intensa sobre responsabilidades. A presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, propôs uma investigação parlamentar para apurar como os atos foram organizados. Enquanto isso, diferentes correntes políticas apresentam explicações divergentes para o que ocorreu.
Relatórios da inteligência francesa, divulgados pelo jornal Le Figaro, apontam que grupos anarquistas de esquerda estiveram envolvidos nos protestos estudantis que antecederam os tumultos. A marca registrada desses grupos, um "A" maiúsculo circulado em preto, foi pichada em prédios de diversas cidades. O documento também sugere que o movimento de extrema-esquerda La France Insoumise (LFI) utilizaria a violência como estratégia para as eleições presidenciais de 2027 — acusação que o partido nega.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu e o ministro do Interior Laurent Nuñez atribuíram os distúrbios à "extrema esquerda", que, segundo Nuñez, teria "jogado gasolina no fogo". Lecornu chegou a falar em "insurreições" planejadas por "pequenos grupos de extrema esquerda e ultraesquerda". Jean-Luc Mélenchon, líder da LFI, rejeita as acusações e responsabiliza o governo pelo caos, insinuando que a violência pode ter sido permitida para que o primeiro-ministro se posicionasse como "defensor da ordem".
Entre os estudantes, a reação é de frustração. Lisa Cordat, da associação estudantil FSE, afirmou que os alunos se organizaram por meio de redes sociais e de organizações próprias, e classificou como "insulto" a sugestão de que estariam sendo manipulados por políticos. "A raiva dos alunos vem de baixo para cima", disse. Já Lina, de 25 anos, criticou a busca por bodes expiatórios: "Os políticos não perguntam por que tudo isso aconteceu. Nos sentimos assustados e abandonados."
No campo político, as cenas de destruição passaram a pesar na disputa presidencial. Marine Le Pen, do partido anti-imigração Reunião Nacional, aparece como a principal beneficiada, segundo a análise, e já lidera as pesquisas de opinião. O ex-primeiro-ministro Gabriel Attal pediu o bloqueio seletivo de algumas redes sociais para conter a violência. Na Bélgica, que também registrou protestos violentos, o ministro do Interior, Bernard Quintin, alertou para a "TikTokização" da violência, atribuindo os atos em Bruxelas e Liège a "grupos conhecidos de extrema esquerda".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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