Análise: enfraquecido nos EUA, Trump mantém poder para intervir no exterior
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu uma derrota imposta por uma ampla maioria dos eleitores americanos nas eleições de meio de mandato, que tiraram dos republicanos o controle das duas Casas do Congresso. Segundo análise do editor de Internacional da BBC, Jeremy Bowen, o resultado limita a capacidade de Trump de ditar os rumos e causar turbulência no país, mas não reduz seu poder de intervenção no exterior.
Como presidente e comandante-em-chefe das Forças Armadas, Trump mantém amplos poderes para usar o poderio militar americano. Para Bowen, não é fácil prever suas ações, mas algumas características são constantes — entre elas o desprezo por quem considera perdedores e a determinação de nunca ser visto como um deles. O presidente pode se sentir tentado a ofuscar a derrota eleitoral com medidas no exterior que possa apresentar como decisões decisivas de um presidente forte.
Guerra com o Irã
Nas semanas que antecederam as eleições, a mobilização de forças americanas e declarações beligerantes de Trump intensificaram as especulações de que os EUA se preparavam para voltar à guerra com o Irã. Na véspera do pleito, os EUA realizaram um bombardeio limitado contra uma ilha iraniana no Golfo. O senador democrata Chris Murphy, antes de ser hospitalizado por um acidente vascular cerebral, participou de reunião sigilosa sobre opções militares e condenou os planos como "insanos", alertando para uma "escalada devastadora".
O regime de Teerã acompanha os acontecimentos políticos nos EUA e não esconde satisfação com o fato de as consequências do bloqueio do Estreito de Ormuz terem se tornado questão de política interna americana. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, publicou alerta nas redes sociais afirmando que os americanos disseram "NÃO À GUERRA". Em Israel, o primeiro-ministro interino Benjamin Netanyahu, em articulações para formar novo governo, reiterou que quer derrubar o regime islâmico de Teerã, e relatos em Israel e nos EUA afirmam que ele pressiona Trump a retomar a guerra.
Ucrânia e Rússia
O outro grande conflito para o qual Trump pode voltar sua atenção é a guerra entre Ucrânia e Rússia. Antes das eleições, ele suspendeu sanções contra Moscou para comprar diesel russo, e pode decidir prolongar e ampliar o alívio na esperança de reduzir a pressão econômica sobre os consumidores americanos. O porta-voz do Kremlin disse que a Rússia espera que os resultados eleitorais não afetem os "esforços de Trump para alcançar a paz". O presidente americano tem tentado de forma persistente forçar o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a fazer concessões territoriais à Rússia — e, sentindo o impacto da derrota, pode redobrar essa pressão.
Para Bowen, é certo que Trump não vai se sentar em uma cadeira de balanço presidencial e esperar o fim do mandato na Casa Branca. Ao longo do mandato, ele desfrutou do poder e demonstrou determinação em usá-lo. Há grande chance de que queira mostrar que, se já não consegue abalar os EUA, ainda pode abalar o mundo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar