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Abstenção de eleitores com mais de 70 anos cai 9,7 pontos percentuais

Por Ivan Marra
Atualizado em 17/10/2026 às 16:35 schedule 3 min de leitura visibility 7 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A abstenção entre eleitores com mais de 70 anos no primeiro turno das eleições caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% em 2026, uma redução de 9,7 pontos percentuais. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram reunidos pelo Movimento Voto 70+, iniciativa apartidária da sociedade civil que defende a participação política dos idosos.

No eleitorado em geral, a abstenção no primeiro turno de 2026 ficou em 21,08%, o que representa 33 milhões de brasileiros aptos que deixaram de votar. O voto é facultativo para quem tem mais de 70 anos, assim como para analfabetos e para jovens com mais de 16 e menos de 18 anos. Entre os idosos com voto facultativo, o comparecimento varia conforme a idade: 68,77% na faixa de 70 a 74 anos; 52,23% entre 75 e 79 anos; 37,12% de 80 a 84 anos; 24,30% de 85 a 89 anos; 13,46% de 90 a 94 anos; e 4,34% entre 95 e 99 anos. Eleitores com mais de 80 anos têm prioridade nas filas das seções eleitorais.

A queda da abstenção ocorreu em um cenário de crescimento do eleitorado idoso, que passou de 14,9 milhões de pessoas aptas a votar em 2022 para 17,2 milhões em 2026. Considerando também os eleitores com mais de 60 anos, o grupo chega a 36,8 milhões. Para a idealizadora do Movimento Voto 70+, Cléa Klouri, o aumento do comparecimento representa um avanço importante, por indicar que o envelhecimento não significa afastamento da vida política. "Estamos falando de uma geração que ajudou a construir o país e que continua tendo muito a contribuir para as decisões sobre o próprio futuro", afirma.

A pesquisadora Adriana de Queiroz, do Data8, centro de pesquisa sobre a economia da longevidade, contou que o movimento conduziu a pesquisa exploratória Retratos do Voto 70+: descobertas sobre a abstenção eleitoral. O estudo identificou três perfis entre os eleitores 70+ que deixariam de votar ou não tinham certeza se compareceriam às eleições de 2026: o eleitor com "baixa autoestima política", que acredita que seu voto não faz diferença; o que considera que o resultado da eleição já não terá impacto sobre sua vida; e o que deseja votar, mas enfrenta barreiras físicas, como filas, distância do local de votação ou dependência de terceiros para se deslocar. "Entender essas diferenças é importante para compreender por que um eleitorado que cresce tão rapidamente continua apresentando níveis tão elevados de abstenção", afirma Adriana.

Para o segundo turno, o Movimento Voto 70+ pretende ampliar o debate sobre obstáculos ao comparecimento às urnas, como limitações de mobilidade, ausência de redes de apoio e etarismo. O voto também pode ser usado pelo INSS para a prova de vida automática de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais — em 2026, a medida vale inclusive para quem não votou no primeiro turno. O movimento promoverá ainda a campanha Vovó Vota, que busca aproximar netas e avós durante as eleições e enfrentar barreiras da abstenção feminina. Em 2022, segundo dados do Data8, 64% das mulheres com mais de 70 anos não votaram, percentual dez pontos superior ao dos homens da mesma faixa etária. Por meio de um guia digital, a campanha reúne orientações para organizar o deslocamento até o local de votação, conferir documentos e oferecer companhia às eleitoras que desejam comparecer às urnas.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Ivan Marra

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