A mulher que envia US$ 10 mil por semana para que crianças migrantes detidas nos EUA possam comprar comida: 'É uma fada-madrinha'
Uma californiana que se descreve como "uma simples mãe" envia semanalmente até US$ 10 mil (cerca de R$ 51 mil) para que crianças migrantes detidas nos Estados Unidos possam comprar itens básicos dentro dos centros de detenção. Casey Revkin, diretora da organização Each Step Home, começou a ajudar menores atingidos pelas políticas migratórias americanas durante o primeiro mandato de Donald Trump.
O nicaraguense Luis Sánchez*, que passou mais de três semanas com os quatro filhos em um centro de detenção de imigrantes em Dilley, no sul do Texas, relatou à BBC News Mundo que suas filhas menores chegaram a dizer que queriam tirar a própria vida. Ele só decidiu procurar ajuda depois que uma advogada que visita regularmente a instalação confirmou que bastava enviar um e-mail com seus dados para receber o dinheiro. "Qual não foi minha surpresa quando, poucos dias depois, eu já tinha US$ 200 na minha conta", recordou. Com o valor, a família comprou água, pipoca, guloseimas e alimentos frescos.
Segundo Revkin, o montante varia, mas a organização calcula cobrir cerca de 80% dos detidos em Dilley. O dinheiro vem de doações, incluindo uma coleta de fundos no Dia das Mães. Com a ajuda, as famílias podem comprar água engarrafada, cereais, sopa em pó, xampu, condicionador, guloseimas, cadernos e tintas. "Eu me coloco no lugar deles e penso como deve ser terrível sentir que você não consegue proteger seus filhos, fornecer coisas tão básicas", afirmou ela à BBC.
O trabalho de Revkin começou em 2018, quando ela soube que centenas de crianças estavam sendo separadas dos pais ao tentar cruzar a fronteira de forma irregular. Na época, ela ajudava a preencher documentos e a organizar a reunificação familiar, o que deu origem à Each Step Home. Com Trump de volta à Presidência e sua promessa de realizar a "maior deportação da história do país", ela buscou outras formas de ajudar. Em janeiro, soube da detenção de Liam Conejo Ramos, de cinco anos, durante uma operação anti-imigração em Minneapolis, e encontrou sua nova missão.
Dilley é o único centro de detenção de famílias do país. Fechado durante o governo de Joe Biden, reabriu no ano passado como parte da ofensiva migratória do governo Trump. Relatórios de organizações de defesa dos migrantes e congressistas apontam preocupação com as condições do local. A advogada Kristin Etter, do Conselho Legal de Imigração do Texas, resume a atuação de Revkin: "Ela é uma fada-madrinha. As pessoas realmente não conseguiriam sobreviver sem ela."
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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