A Ilha de Coiba, a brutal prisão a céu aberto que se tornou um paraíso natural e para onde o Panamá está enviando prisioneiros novamente
O governo do Panamá transferiu 29 presos para a Ilha de Coiba em junho deste ano, após uma fuga massiva de uma grande prisão na capital. Em agosto, outras três pessoas foram levadas ao local. A informação é da BBC News Mundo, que visitou o arquipélago no Pacífico panamenho.
Localizada a cerca de 25 quilômetros a sudoeste da costa de Veraguas, no oeste do Panamá, Coiba funcionou por 85 anos como uma temida prisão a céu aberto, marcada por relatos de tortura, trabalhos forçados e um massacre brutal. Criminosos considerados perigosos e, durante a ditadura panamenha (1968-1989), opositores políticos foram detidos ali. A colônia penal foi fundada em 1919, durante a presidência de Belisario Porras, com a intenção de ser autossustentável: os prisioneiros trabalhavam sem salário em fazendas de gado e no plantio e colheita do que consumiam.
Após o encerramento da prisão, em 2004, a ilha foi dedicada a reserva natural, o que lhe valeu a declaração de Patrimônio Mundial pela Unesco. As décadas como colônia penal ajudaram a manter seus ecossistemas e sua biodiversidade quase intocados pela intervenção humana. Coiba é o maior parque marinho da América Central e, junto com sua área terrestre, abrange 270.125 hectares.
O relatório da Comissão da Verdade do Panamá, publicado em 2002, reúne depoimentos de ex-prisioneiros que descrevem trabalho excessivo, espancamentos brutais, alimentação insuficiente e falta de assistência médica. Especialistas apontam que, embora não haja números oficiais, muitas pessoas morreram no local, tanto por causa das punições quanto pelos riscos do ambiente natural, que abriga animais venenosos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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