“A gente só recitava poesias de subversão”, diz poeta baiana
No final dos anos 1970, em plena ditadura militar, um grupo de jovens poetas baianos desafiou a repressão ao ocupar uma praça pública para declamar versos. Em depoimento, uma das poetas do movimento relembra o período e resume o espírito da iniciativa: “A gente só recitava poesias de subversão”.
O encontro, organizado por jovens que viam na literatura uma forma de resistência, transformou o espaço público em palco para a palavra. Em um contexto de censura e cerceamento das liberdades, a poesia funcionava como instrumento de contestação política e expressão de descontentamento com o regime. A poetisa destaca que o ato de recitar em praça pública, por si só, já configurava uma posição de enfrentamento ao sistema.
A ação do grupo, ocorrida em Salvador, não se limitava à estética literária. Os versos escolhidos e declamados carregavam crítica social e questionamento político, o que atraía a atenção das autoridades. Ainda assim, os jovens poetas insistiam em ocupar o espaço público, cientes dos riscos que corriam.
O relato integra um resgate da memória cultural do período, evidenciando como a arte foi usada como trincheira contra a opressão. A poetisa não detalha se houve represálias diretas ou prisões após os encontros, mas a lembrança do grupo permanece como registro da resistência cultural baiana durante a ditadura.
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