A escritora que quer reimaginar a história brasileira com mulheres negras no centro da narrativa
A escritora baiana Luciany Aparecida propõe reimaginar a história do Brasil povoando suas obras com figuras positivas de pessoas negras, em especial mulheres negras, mais velhas e de sexualidades diversas. Para ela, esse exercício é fundamental para que a população afro-brasileira transforme os traumas acumulados em séculos de violência e opressão.
Seu romance de estreia, Mata Doce, lançado em 2023, foi finalista do prêmio Jabuti em 2024 e venceu o Prêmio São Paulo de Literatura. A obra tem como personagens centrais um casal formado por uma mulher cis e uma travesti e sua filha adotiva, que vivem em um vilarejo no interior da Bahia na primeira metade do século 20. O livro também aborda problemas de saúde mental, como suicídio e alcoolismo, ligados, segundo a autora, à opressão histórica vivida pela população negra.
Aparecida acaba de concluir seu novo romance, Tinta da Bahia, com publicação prevista para 2027 pela Editora Alfaguara. Ambientada na primeira metade do século 19, a obra tem como protagonista Chica D'Água, descrita pela autora como uma heroína frágil, que ouve vozes e enfrenta dificuldades emocionais associadas ao trauma da travessia transatlântica. A escritora lembra que, na literatura brasileira, as mulheres negras sempre foram imaginadas por outros autores, e diz que seu projeto busca mobilizar essas imagens fixas e ampliar o vocabulário sobre o que pode ser uma mulher negra.
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