A crise global que Flávio Bolsonaro ou Lula terão de enfrentar se eleitos
O próximo presidente do Brasil, seja Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), terá de lidar com uma conjuntura global mais complexa do que a atual, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil. Para além dos alinhamentos ideológicos previsíveis — Lula mais próximo de partidos de esquerda e Flávio de governos de direita —, a geopolítica passará por mudanças profundas já no ano que vem.
Entre os fatores apontados estão os impactos das eleições legislativas americanas, as midterms, marcadas para 3 de novembro, e que podem gerar mais fricções para o presidente republicano Donald Trump até o fim de seu mandato, em 2029. Também pesam os pleitos presidenciais na França, entre abril e maio de 2027, e na Argentina, em outubro, além da eleição parlamentar na Espanha, em agosto.
O economista Otaviano Canuto, professor da Elliott School of International Affairs da George Washington University e ex-vice-presidente do BID, afirma que, embora os desafios sejam os mesmos, as respostas variam conforme o vencedor. O professor Vinícius Mariano de Carvalho, do King's College de Londres, descreve o cenário como uma "surrealpolitik", em que o padrão geopolítico é de falta de coerência e regulação.
Os especialistas apontam três grandes desafios imediatos na agenda de política externa: reconstruir a relação com os Estados Unidos; encontrar uma posição pacífica na competição entre Washington e Pequim, sem ser capturado por nenhum dos dois; e tentar reorganizar a coordenação política e econômica em uma América do Sul fragmentada.
Em caso de reeleição, Lula enfrentaria uma relação ainda mais conflituosa com a Casa Branca de Trump, que já elevou tarifas de importação a produtos nacionais e classificou facções criminosas brasileiras como "terroristas". Já uma vitória de Flávio Bolsonaro significaria ao menos dois anos de proximidade com os EUA trumpista e com vizinhos latino-americanos ideologicamente próximos que chegaram recentemente ao poder. O senador também enfrentaria o dilema de como negociar minerais críticos e terras raras — como commodity de exportação ou a partir do valor agregado.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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