A batalha de Flávio e Lula pelo voto grisalho: por que eleitores 70+ podem decidir eleição para presidente
Quase metade dos eleitores com 70 anos ou mais aptos a votar não compareceu às urnas no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. A abstenção nessa faixa etária foi de 49,1%, a maior entre todas as idades, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O índice representa queda em relação aos 58,8% de 2022, mas segue muito acima da média nacional, de 21,08%.
Em números absolutos, mais de 8 milhões de brasileiros nessa faixa não votaram — quase quatro vezes a diferença de votos entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, de pouco mais de 2,2 milhões. Diferentemente da maioria do eleitorado, os brasileiros com mais de 70 anos não são obrigados a votar, o que obriga as campanhas a convencer esse grupo também a comparecer.
O contingente cresceu de 14,9 milhões, em 2022, para 17,2 milhões neste ano, mais de 10% do eleitorado. Para a cientista política Mayra Goulart, da UFRJ, é possivelmente o grupo mais estratégico da reta final. "É nessa faixa etária que a gente observa o maior nível de abstenção e, portanto, uma vez que a gente está falando de uma margem estreita de votos, pode ser determinante para um ou outro candidato", afirma. "São 17 milhões de pessoas que podem mudar o curso da eleição", resume Cléa Klouri, do Movimento Voto 70+.
A disputa envolve dois focos: conquistar indecisos e mobilizar quem já tem candidato, mas pode não comparecer. A campanha de Lula divulgou, após o primeiro turno, cartilha com orientações a apoiadores que conversam com idosos, tratados como "Geração Lula", e o petista tem feito apelos diretos ao comparecimento. Já a campanha de Flávio lançou a plataforma "70 Mais", com propostas como simplificação de processos do INSS, reforço no controle de descontos indevidos em aposentadorias e entrega de medicamentos em casa.
Mayra Goulart observa que os idosos têm hábitos de consumo de informação distintos dos mais jovens. "Talvez a comunicação por meios digitais tenha menor efetividade. Esse eleitor ainda precisa de campanhas de TV e rádio, que ainda têm bastante efetividade nesse eleitorado", diz.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar