A água-viva imortal que pode inspirar tratamentos para doenças ligadas ao envelhecimento
A água-viva Turritopsis dohrnii, minúscula e translúcida, é capaz de reiniciar seu próprio ciclo de vida quando está sob pressão. Em vez de morrer, ela se transforma em uma bola de células e, em um a três dias, dá origem a um pólipo — estágio inicial da vida da água-viva —, que cresce e pode gerar centenas de novas medusas. Cada uma delas, em princípio, pode rejuvenescer da mesma forma.
O fenômeno foi relatado pela primeira vez em 1992, por um cientista italiano que mantinha os animais em laboratório e se esqueceu de alimentá-los durante um fim de semana. O biólogo Stefano Piraino, da Universidade de Salento, na Itália, passou então a investigar o mecanismo: durante o rejuvenescimento, certos tecidos da medusa passam por um processo de "transdiferenciação", retornando a um estado de célula-tronco antes de se especializar em outros tipos celulares.
Hoje, cientistas como a bióloga marinha Maria Miglietta, da Universidade A&M do Texas em Galveston, estudam os processos genéticos envolvidos. Um estudo de 2022 mostrou que o DNA da espécie contém mais cópias de genes ligados ao reparo de mutações e à manutenção dos telômeros, estruturas que protegem o material genético e costumam encolher com a idade. A expectativa é que esse conhecimento ajude, no futuro, a compreender processos semelhantes em células humanas — sem qualquer pretensão de reverter pessoas à infância.
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