A agonia das famílias de milhares de pessoas que permanecem desaparecidas na Faixa de Gaza
A agonia das famílias de milhares de pessoas que permanecem desaparecidas na Faixa de Gaza
A Cruz Vermelha afirma ter recebido mais de 5 mil pedidos de localização de pessoas desaparecidas na Faixa de Gaza, que podem estar detidas por Israel ou sepultadas sob os escombros. A Defesa Civil local estima que o número de desaparecidos ultrapasse 8 mil, e corpos continuam sendo encontrados diariamente. No início deste mês, um funeral coletivo na cidade de Gaza sepultou mais de uma centena de vítimas de um ataque israelense de 2023, cujos restos mortais só foram recuperados e identificados recentemente.
A recuperação dos corpos é dificultada pela extensão da destruição e pela falta de escavadeiras. A identificação dos restos mortais também enfrenta obstáculos, como a ausência de testes de DNA, devido a restrições israelenses sobre a entrada de materiais no território. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 73 mil pessoas morreram desde o início da campanha militar israelense, número considerado confiável pela ONU, mas que não inclui os corpos soterrados.
O caso de Ahmed al Madhoun, jovem de 21 anos com síndrome de Down, ilustra o drama das famílias. Ele desapareceu em maio de 2025, ao sair para uma loja perto de casa, durante ataques israelenses na região. Sua mãe, Majdiya, diz não ter paz enquanto não souber o paradeiro do filho. "Não perdi a esperança, mas só quando o encontrarem, vivo ou morto, enterrado sob os escombros, poderei ficar em paz", afirma.
A possibilidade de detenção por Israel também aflige as famílias. Ao longo de quase três anos de guerra, cerca de 7 mil palestinos de Gaza foram detidos pelas forças israelenses, segundo o Comitê Público contra a Tortura, com sede em Israel. Desses, mais de 5 mil foram liberados sem acusação formal. Atualmente, cerca de 1,3 mil detidos de Gaza permanecem em prisões israelenses sem acusação nem julgamento, de acordo com a organização de direitos humanos HaMoked, que ressalta que os números não incluem detidos diretamente pelo exército.
Entidades de direitos humanos afirmam que Israel frequentemente não notifica as famílias sobre a detenção ou o paradeiro dos seus entes queridos, obrigando-as a depender de ONGs e advogados. A BBC questionou as Forças de Defesa de Israel e o Serviço Penitenciário sobre a falta de contato com familiares, mas não obteve resposta até a publicação. As autoridades israelenses já afirmaram anteriormente que as detenções prolongadas se devem a motivos de segurança relacionados à guerra.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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